Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

De Ouarzazate para Erg Chebbi: o deserto

Li, já não recordo onde, que quem vai ao deserto uma vez, não resiste em voltar mais uma e outra e outra vez...

 

Saímos de Ouarzazate de manhã ou, pelo menos, tentámos. As caixas multibanco estavam meio escavacadas e nem estrangeiros nem locais conseguiam levantar dinheiro. Deitámos contas à vida: tínhamos uns trocos para o café e para pôr uns litros de gasolina.

Já equacionávamos telefonar para casa na tentativa de arranjar dinheiro de uma forma qualquer, quando o sistema operativo voltou a funcionar e lá conseguimos ficar com as carteiras cheias de dirhams e o depósito de combustível. E lá fomos então para em direcção a Merzouga, a cidade (vá ok, cidade...) no deserto.

Passámos por Agdz e a mudança da paisagem tornou-se óbvia: vários oásis no meio de um sítio árido e um calor muito mais seco do que aquele que tínhamos experimentado até então. Montanhas a perder de vista.

 

A caminho do deserto

 

Parámos em Tazzarine para almoçar. Tazzarine é uma cidade que faz lembrar uma emissão em directo ao estilo "algures no deserto" à Artur Albarran: muita gente nas ruas, muitos carros, barraquinhas de comida, carroças e um calor abrasador. O céu coberto com uma camada de areia, por onde passava a luz mas não se via o sol, antecipando a tempestade que iríamos atravessar a seguir.

Decidimos almoçar no restaurante do único hotel da cidade. Era agradável, com um jardim e uma piscina, onde um grupo de crianças marroquinas fazia uma festa de mergulhos. A comida era aceitável (hummmmm tagine, que saudades!), comemos melancia daquela mesmo boa e finalizámos com um café. A animação durante o almoço consistiu em que um dos miúdos resolveu "evacuar" na piscina e andavam os empregados todos de um lado para o outro a tentar resolver a situação ! Enfim, só em Marrocos.

 

Continuámos a nossa viagem ansiosos por chegar a Rissani, a maior cidade junto ao deserto.

No caminho a paisagem ficou ainda mais árida e passámos por uma tempestade de areia, daquelas com direito a remoinhos e tudo!

 

Tempestade de areia

 

Tínhamos efectivamente chegado ao deserto! E os camelos à beira (ou na) estrada não deixavam margem para dúvidas.

Quando saímos de Portugal pareceu-nos importante levar o GPS já que iríamos passar muito tempo a conduzir num país totalmente estranho. Não sabíamos então que Marrocos está mesmo muito mal cartografado, e, quando chegámos a Rissani, tivemos que perguntar o caminho para Merzouga.

Perguntar o caminho não tem nada de estranho... excepto se for em Marrocos! A partir do momento em que se dirige a palavra a alguém fica-se meia hora a falar, porque perguntam tudo: de onde somos, onde vamos ficar a dormir, quanto pagámos pelo aluguer do carro, etc, etc.

Depois de despachar a conversa chegámos a Merzouga. Não chamaria aquele sítio de cidade, é assim mais um lugar. Com umas casas, umas dunas e muita gente na rua (para não variar!).

Mais uma vez tivemos que perguntar qual o caminho para o nosso hotel e ficámos a saber que tínhamos que andar uns 15 km para trás, entrar numa pista (a típica estrada de terra batida) e percorrer essa estrada durante uns 30 Km e estávamos lá!

Com o coração nas mãos, a pensar no nosso carro alugado e a imaginá-lo já todo partido, demos meia volta e lá fomos procurar o Auberge du Sud.

Andar em pista com qualquer carro que não seja um jipe é de coragem, mas finalmente chegámos ao nosso destino, apenas com um tampão do carro "algures no deserto"...

O Auberge du Sud é assim um sítio mágico, mesmo junto às dunas de Erg Chebbi. E é tão fantástico que qualquer coisa que escrevesse seria completamente aquém da realidade. Só estando lá! A paisagem, o ambiente do auberge, as pessoas... nunca tinha vivido nada assim e agora só penso em regressar...

 No dia seguinte, e aconselhados pelo Hamid (o nosso anfitrião), fizémos um passeio de jipe pela zona de Erg Chebbi: fomos ver os fósseis, ouvir música tradicional berbere à tribo dos Gnaoua (onde fomos convidados para assistir a um casamento - momento mais National Geographic seria impossível!!!), ver o lago (sim, há um lago enorme no meio do deserto), tomar chá com uma família nómada, comer pizza berbere (que saudades...) e visitar o oásis que serve a população da tribo dos Gnaoua.

 

 

 Erg Chebbi

 

 

 O deserto visto da piscina do Auberge du Sud

 

 No final da tarde, regressámos ao auberge para apanhar o camelo mais próximo e partir para passar a noite no deserto.

 

 

TO BE CONTINUED

 

música: we're on the road to nowhere
publicado por daily às 22:27

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